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Como ultrapassar as dúvidas e os receios que surgem com a chegada de um bebê?

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Um bebê pode ser muito desejado, mas a sua chegada nem sempre é pacífica.

“Mudou tudo. Deixei de ter tempo para mim, deixei de pensar em mim e no meu marido… Sabia que ia acontecer uma alteração na nossa vida, mas nunca imaginei que fosse tão intensa. Há quem acredite que os bebês salvam casamentos. No meu caso praticamente destruiu!”

Desejado, imaginado e ansiosamente aguardado, o bebê marca o início de uma viagem sem precedentes, cheia de surpresas, momentos bons e outros mais difíceis de ultrapassar, é encarar e sem ensaios, um novo papel.

Apesar dos livros ou dicas dos familiares ninguém sabe o que é ter um bebê até efetivamente ter um. O  impacto na rotina de um casal é muito diverso e impossível de prever com exatidão. Por isso é necessário planejar, partilhar e gerir sentimentos antes do nascimento para que se possa entrar de forma mais leve nessa nova fase da vida.

Grande impacto

A chegada do bebê provoca uma reviravolta total na vida de um casal. Tudo passa a girar em torno das necessidades do recém-nascido. É preciso ter a noção de que a vida vai mudar e que temos de aceitar o que ela trouxer de novo. É fundamental ter disponibilidade para receber as diferenças e as alterações que o bebê vai impor na vida da família. E o desejo. Quanto mais desejado é um filho mais disponível está o casal para a mudança.

Se é importante que um casal forme uma equipe, é necessário também ter consciência que a adaptação é condicionada pelas características da própria relação. O êxito da operação está nas mãos de ambos. O movimento tem que ser a par e no par. Por um lado a mulher tem de aceitar a participação do homem sem sentir uma perda de privilégios, por outro o homem tem de encarar isso sem perda de masculinidade. Definir, previamente, com o parceiro as tarefas que cada um pode executar e, por exemplo, alternar as idas ao quarto o bebé à noite ou as visitas ao médico, ajuda a equilibrar os papéis.

Apesar da partilha de funções no casal, não se deve excluir a hipótese de ajuda externa. Criar uma rede de apoio familiar ou social, que auxilie nas tarefas domésticas ou nos cuidados do bebê é importante e proporciona ao casal um descanso nesse momento de adaptação.

Nervosismo

Segurar ao colo um filho pela primeira vez provoca um sentimento único de felicidade, mas, em paralelo, surge a insegurança.

Por mais livros, conselhos e histórias que conheçam, a fragilidade do bebê gera uma série de receios nos pais, muito comuns. Atualmente, as famílias têm cada vez menos crianças e, para muitos casais, o primeiro recém-nascido com quem vão conviver é o primeiro filho. Aí surge a insegurança na capacidade de ser mãe ou pai.

Como aprendizes, os pais mostram-se ávidos de conselhos e experts não faltam. Amigos, familiares, todos têm algo a dizer e, muitas vezes, passam do conselho à ação, substituindo os próprios pais. Isso é extremamente desvalorizador e inibidor para os jovens pais que precisam de aprender por tentativa e erro. Sim, você vai errar e não há nada de ruim nisso! É necessário tentar perceber até que ponto um conselho é útil ou intromissão. Os familiares podem ajudar nas tarefas de casa, por exemplo fazer o jantar, enquanto os pais dão banho ao bebé. Os pais precisam de tempo para aprenderem a ser pais, ninguém nasce sabendo realizar uma atividade que nunca fez.

Altos e baixos

Nos primeiros meses de vida, as noites em branco devido ao ritmo de sono e vigília do bebê, são a principal dificuldade que deixa os pais cansados, irritáveis e mais sensíveis ao longo do dia. Trata-se uma fase passageira que exige um esforço adicional da parte dos pais, mas pode ser atenuada com ajuda de terceiros.

A par com o cansaço, a nova ordem de prioridades pode abalar o equilíbrio emocional do casal. Ao dedicar-se em exclusivo ao bebê, mulher tende a colocar-se em segundo plano, o que se pode traduzir mais tarde em insatisfação. Manter o contato com os amigos e reservar tempo para si, para um passeio diário, ida ao café ou cabeleireiro, é essencial.

Após o parto muitas mulheres sofrem do chamado baby blues, alteração emocional devido à adaptação física e psicológica, que desaparece espontaneamente após algumas semanas. Estima-se que cerca de oitenta por cento das mulheres sentem este misto de emoções, erradamente associado à depressão pós-parto, uma psicopatologia que atinge cerca de oito por cento e implica intervenção clínica. Os sintomas são mais intensos e impedem a mulher de prosseguir o ritmo normal do dia a dia.

Na perspectiva do pai, o fato do bebê absorver todo o tempo pode, criar uma sensação de estranheza e dificuldade de adaptação às novas rotinas, onde ele já não é o privilegiado. Há uma necessidade de ajuste em termos emocionais.

Família feliz

Apesar dos receios, hesitações e problemas de percurso, o nascimento de um filho é um marco único na vida de uma pessoa.

Aceitar as mudanças, partilhar as responsabilidades sem complexo de culpa e prever estratégias de apoio através de terceiros são formas de minimizar as dificuldades e que permitem aos novos pais apreciar a experiência em pleno.

Recorde-se que a sua felicidade é um dos segredos da felicidade dos seus filhos. E se não foi fácil na primeira vez, não desespere, na segunda correrá melhor.

 

Willa Marques – Psicóloga Perinatal, especialista em psicologia da maternidade
“Apropriando mulheres de sua maternidade, sem esquecer que mães também são geradas!”
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