Papo Profissional

Existem emoções fetais?

Lembro-me de um dos momentos de maiores angústias para mim na gestação pouco mais de uma semana antes do Eric nascer. Eu havia passado mal, sentia muitas dores e devido há algumas circunstâncias havia me estressado e chorado muito. Ao chegar no hospital o médico achou por bem solicitar uma ultra e qual foi a minha surpresa ao ser constatado que naquele o meu pequeno bebê apresentava taquicardia fetal, um termo relativamente novo pra mim, mas naquele momento apavorante! Se considera taquicardia fetal quando a freqüência cardíaca for maior que 180 batimentos por minuto, naquele momento o meu pequeno estava com quase 220 batimentos por minuto, o que serviu de alerta para que ficássemos monitorando até que tudo se normalizasse, o que aconteceu algumas horas depois, Graças a Deus! Onde quero chegar com essa história? Bem, sempre ouvimos dizer que o bebê sente o que a mãe sente. Em contrapartida também escutamos que o bebê nunca estará tão protegido como na barriga, então como explicar episódios como esse? Não estariam os pequenos protegidos das influências negativas das emoções do lado de fora?

Muitos de nós já ouvira falar que bebês ao nascer são uma folha em branco ou tábuas rasas a serem preenchidas, achava-se que o início de sensações e sentimentos somente se dava ao nascer. Com o avanço das tecnologias, descobriu-se que não é bem assim que funciona e hoje podemos dizer que a vida psíquica do ser humano começa bem antes do nascer, a vida psíquica não se inicia no nascimento, apenas dá continuidade da vida intra-uterina.
O espantoso é a quantidade de coisas que aquele pequeno ser já sabe. Sim, no nascimento o feto já traz consigo uma quantidade enorme de informações e ao nascer transporta esse conhecimento para sua nova realidade. Em todo o período intra-uterino o feto percebe as suas experiências pré-natais a relação entre a mãe e o filho, no decorrer da gravidez, revela uma importância enorme em termos de interferência no bem-estar da criança que vai nascer, ou seja, o feto recolhe informações para a vida após o seu nascimento, com base nos sinais que a mãe esta constantemente enviando.

O seu bebê desde a barriga é um ser ativo, participante e em constante formação, reagindo a estímulos do mundo externo. O feto sofre com a influência das emoções maternas e que o levam a participar na manutenção e determinação do final da gravidez, seja prematuramente, através do aborto ou gravidez a termo e apesar de não haver conexão direta com o sistema nervoso central da mãe, determinados sentimentos liberam substâncias químicas que chegarão até o bebê.

Sim, o seu feto é um ser que sente e até mesmo sofre emoções. Acredita-se que por meio de sinais maternos, é firmado um compromisso entre mãe e bebê e que este desencadeia o trabalho de parto. Ou seja, sendo mãe e bebê a mesma pessoa caso o feto se encontre em contínuo e constante sofrimento, percebido por ele como ameaça de morte, ele envia uma mensagem pra a mãe avisando que será necessária a separação.
Por isso ressaltamos a importância das emoções maternas no período gestacional, uma vez que se faz necessário um ambiente de apoio, segurança e livre de angústias, visando o desenvolvimento físico e emocional do futuro bebê. Lembre-se não apenas o trauma do nascimento marca o individuo pra sempre, mas as vivências emocionais durante a gestação poderão deixar marcas capazes de o acompanhar na vida inteira!